quarta-feira, 9 de junho de 2010

Guia da Copa para quem vê futebol só de quatro em quatro anos



Guia da Copa para quem vê futebol só de quatro em quatro anos

Na próxima sexta-feira, 11 de junho, começa a 19ª Copa do Mundo. O primeiro jogo do Brasil é no dia 15, terça, às três e meia da tarde. Já foram disputadas dezoito copas: dez na Europa, quatro na América do Sul, três na América do Norte e uma na Ásia. Os europeus venceram nove vezes: Itália (quatro), Alemanha (três), França (uma) e Inglaterra (uma). Os sul-americanos também venceram nove vezes: Brasil (cinco), Argentina (duas) e Uruguai (duas). O placar está nove a nove.

Jogos do Brasil na primeira fase da Copa

Terça, 15 de junho, 15h30, Brasil x Coreia do Norte

Domingo, 20 de junho, 15h30, Brasil x Costa do Marfim

Sexta, 25 de junho, 11h, Brasil x Portugal

Se você estiver pensando em reunir a família ou os amigos num fim de semana para ver um jogo da seleção brasileira, terá poucas oportunidades. Serão apenas dois domingos, caso o Brasil seja o primeiro do seu grupo e vá à partida final: o primeiro, em 20 de junho, contra a Costa do Marfim; e o segundo, na partida final, em 11 de julho. Se o Brasil for o segundo colocado do seu grupo e passar pelas oitavas de final, haverá mais uma oportunidade: a quarta de final será num sábado às 15h30 (se for o primeiro, a quarta de final será numa sexta às 11 da manhã).

Os caminhos do Brasil para chegar à final da Copa

As 32 seleções foram divididas por sorteio em oito grupos (substituí letras por números. As cores verde e amarela não foram escolhidas ao acaso):


O sorteio foi dirigido. O país-sede e as sete seleções mais bem colocadas no ranking da Fifa foram consideradas cabeças de chave (em negrito). A França ficou no grupo da África do Sul, seleção cabeça de chave por ser o país-sede e não por critério técnico. A rigor, é como se a França fosse de fato o cabeça de chave do Grupo 1. Assim vamos considerá-la.

Os caminhos já estão traçados. São duas retas paralelas que se cruzam na partida final. Dos grupos amarelos, os ímpares, sai um finalista. Dos grupos verdes, os pares, sai o outro finalista.

Se todas as seleções cabeças de chave confirmarem o favoritismo e terminarem a primeira fase em primeiro lugar, o Brasil só enfrentará um cabeça de chave verde, já que Argentina, Alemanha, Itália e Espanha teriam se enfrentar antes. Desses quatro adversários, candidatos ao título, o Brasil enfrentará apenas um, e somente na partida final. Antes, para chegar à final da Copa, o Brasil enfrentaria a Holanda nas quartas de final, e Inglaterra ou França na semifinal.

Na Copa de 2006, dos oito cabeças de chave, sete confirmaram o primeiro lugar. Apenas a França terminou em segundo.

Se todos os cabeças de chave terminarem em segundo lugar, nada se altera. É como se eles apenas mudassem de faixa. Os amarelos tornam-se verdes e os verdes tornam-se amarelos. A seleção cabeça de chave que não conseguir ficar em primeiro lugar e terminar em segundo muda de faixa. Da mesma forma, caso uma segunda seleção mais forte de um grupo termine em primeiro lugar, ela também muda de faixa.


Se o Brasil for o segundo colocado do seu grupo, o caminho ficará mais difícil, em tese, já que destas quatro seleções, Argentina, Alemanha, Espanha e Itália, o Brasil enfrentará três: 1ª) a Espanha logo nas oitavas de final; 2ª) a Itália nas quartas de final; 3ª) Argentina ou Alemanha na semifinal. E ainda terá de passar, na final, por Inglaterra, Holanda ou França.

O adversário das oitavas de final será uma destas quatro seleções: Espanha, Suíça, Chile ou Honduras. Se o Brasil for o primeiro colocado, enfrenta o segundo: provavelmente, a Suíça ou o Chile. Se for o segundo, enfrenta o primeiro; provavelmente, a Espanha.

Que seleção será a campeã?

Após a Copa de 50, toda copa disputada fora da Europa foi vencida por Brasil ou Argentina. Nas cinco vezes em que o Brasil foi campeão, não enfrentou a Argentina. Todas as vezes em que o Brasil cruzou com a Argentina pelo caminho, não foi campeão. Pode até ter vencido a partida, mas não conseguiu o título – caso da Copa da Alemanha de 74, quando venceu a Argentina por 2 a 1, mas foi derrotado pela Holanda na semifinal. Ou da Copa de 82, quando venceu a Argentina por 3 a 1, mas foi derrotado logo em seguida pela Itália.

Desde a primeira Copa, em 1930, somente uma seleção não europeia conseguiu vencer uma copa disputada na Europa: o Brasil, em 1958, na Suécia. Mas havia três extraterrenos em campo: Pelé, Garrincha e Didi. Os outros quatro títulos do Brasil foram ganhos fora da Europa, quando o país-sede não era favorito e com craques brasileiros que fizeram a diferença.

Além de Brasil e Argentina, três seleções europeias chegam bem cotadas à África do Sul: Espanha, Inglaterra e Holanda. E, por tradição, pelo “peso das camisas”: Alemanha e Itália. Mas nunca uma seleção europeia venceu uma copa disputada fora da Europa. Se nunca um país europeu venceu fora da Europa; e Brasil e Argentina, depois da Copa de 1950, ganharam todas as disputadas fora da Europa, é razoável supor que o campeão será Brasil ou Argentina.

Mas a Copa da África do Sul tem uma particularidade: será disputada no inverno; outra foi a da Argentina, em 1978. Desta vez, no entanto, o país-sede não é um dos favoritos, o que também favorece os europeus. Em Bloemfontein, uma das subsedes da Copa, os termômetros ficam até negativos nesta época do ano. Os europeus não enfrentarão um sol escaldante como na Copa de 94, nos EUA, quando o jogo Alemanha e Coreia do Sul foi disputado sob temperatura de 47 graus.

A Copa na África do Sul será a copa da quebra dos tabus, das surpresas? Será a oportunidade para uma seleção europeia ser, pela primeira vez, campeã fora da Europa? Dinamarca, Sérvia ou um país africano vai surpreender? Ou a história se repetirá, como tem sido desde 1930, e pelo menos uma destas quatro seleções, Brasil, Argentina, Alemanha ou Itália chegará à partida final?

Teremos a resposta no domingo 11 de julho, às três e meia da tarde, em Johannesburgo.

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